ÁGUIA – Consultoria Hoteleira Especializada

Dificuldades são para Profissionais

“Revenue Management” e ou (é Disciplina de Administração Hoteleira)

“Revenue Manager” o Gerente de Receitas!!:
Vem sendo tida como uma das mais promissoras posições na Indústria Hoteleira.
Redes hoteleiras e alguns hotéis independentes no Brasil e no Mundo já estão percebendo que o RM é um componente de gerenciamento estratégico, o qual deve ser incorporado à alta Administração hoteleira, assim como acontece hà mais tempo com as Cia aéreas e outras empresas em que o processo é necessário e sempre altamente positivo.
O que precisamos entender é que há efetivamente coisas inseparáveis.
Gerenciamento de Receitas pomposamente chamado de “Revenue Management” (afinal somos um País de língua Portuguesa) é uma disciplina de Administração Hoteleira. E não um setor da hotelaria.
O competente Gerente Geral de Hotel ou Diretor de Operações de uma rede tem para si esta atribuição, é através do correto e complexo gerenciamento de receitas “revenue Management que se faz uma administração consciente e com resultados altamente positivos e sustentáveis.
Segundo alguns professores universitários na área de hotelaria e Turismo o cartão com o 
Título de “revenue manager” é sustentado por alguém que não sabe exatamente o que faz e 

foi contratado por uma empresa ou pessoa que não sabe o que quer.” Eu concordo com isto.

Parece-me que colocações como esta e que vêem sendo rotineiras quando falam de “revenue management”, são um dos motivos para as inúmeras queixas sobre resultados insatisfatórios de muitos hoteleiros.

A pergunta que não quer calar é: como gerenciar, como dirigir, (na Europa o gerente geral é Diretor Geral, e lá, o RM na Hotelaria está bem mais adiantado e atuante é uma REALIDADE, constante) um hotel ou uma rede, se você não tem conhecimento de gerenciamento de receitas, e falo de Gerenciamento de Receitas ou “RM” na sua plenitude?

1-    Antes de saber quem são os seus concorrentes, precisa saber quais são, ou seja precisa estabelecer um parâmetro e isso se faz com percentuais, de quem é ou não seu concorrente.(Porque existe o concorrente e o que você acha que é concorrente).
2-    Definido isto vamos verificar se estes realmente são e se queremos ou não neutralizá-los, ou a eles nos sobrepormos.
3-  É preciso saber e gostar profundamente de Aritmética, Economia, Cálculo comercial e Industrial e raciocínio lógico.
4-    É necessário conhecer toda a operação do Hotel, e é bom que isso não seja teórico para que não se determinem absurdos e não se transforme o dirigente em “chacota” para os subordinados, inviabilizando a gestão.(Quero com isto dizer, que quando eu assino alguma determinação com o simples FAÇA-SE ou CUMPRA-SE tenho que ter plena capacidade para, se necessário dar o exemplo).
5-    Conhecimento de mercados, suas oscilações e o que neles interfere.
6     – Sólidos conhecimentos de custos e sua composição, em todas as áreas.
7     Saber que quando vc faz uma Gestão apurada e consciente vc é UM GERENTE GERAL PLENO logo Revenue Manager nada mais é que uma das SUAS atribuições.
 7.a. – Saber que num sistema de RM você usa o preço de venda e não o de custo. Mas como vai vender ou determinar preços de venda se não sabe como determinar o custo?
(Além de mais uma enormidade de fatores.)

Em Síntese O Revenue Magement, é muito complexo, mas sem ele não há resultados conscientes e consistentes. Não esqueçam, quando afirmo que não há hotel que não dê lucro, eu sei exatamente o que estou dizendo, só que nunca olhei o “RM” (gerenciamento de receitas) como algo isolado da direção geral, nem a cuidado de terceiros. Se a administração a Geral é minha responsabilidade, aqui no caso Brasil, Gerência Geral, ou diretorias de operações ou Geral de qualquer  forma alguém que conheça toda a operação, administração e controladoria hoteleira, e seja o responsável de fato por GERAR RESULTADOS.

Revenue Management ou Yield Management (embora não significando o mesmo) são disciplinas de gestão hoteleira utilizadas no processo estratégico da definição de preço dinâmico, aplicado à estruturação de níveis de tarifas relacionados com a disponibilidade ou ocupação de cada UH ou, na minha visão de toda uma unidade ou rede Hoteleira já que viabiliza majorar  toda e qualquer receita,em suma de um Hotel ou Rede.

Uma estratégia de RM bem implementada, implica ter como resultado a subida da ocupaçãodo preço médio e do REVPAR, conseqüentemente um aumento significativo da margem de lucro.
Enfim, você aufere um aumento geral de receita de forma, consciente consistente e sustentável.
Embora esteja se criando o cargo de gerente de receitas ou “revenue manager” esta não é uma função que possa estar fora da direção ou Gerência Geral. Ao encontro do que professam as grandes faculdades de hotelaria Européias, assim como os cursos profissionalizantes “RM” deve ser sim estudado, mas para aperfeiçoamento de Gerentes e Diretores Gerais. Gerente de receitas é conflitante dentro de uma bem  organizada estrutura hoteleira, posso entendê-lo no máximo como um assistente de Gerencia que facilite o processamento e atualização constante de dados. Senão vejamos, “sou um gerente geral” que tem um “revenue manager” uso os dados que ele me fornece e os dou como certos, se algo der errado culpo-o e continuo belo e formoso com meu cargo. Isso é pelo mínimo DESONESTO e próprio de quem procura esconder a própria incompetência.”
Vejamos aqui porque o “revenue manager” é uma figura que já pela sua colocação passa apenas e tão somente a “orientar” eu diria sugerir.
Quer sendo um Revenue Manager de um hotel independente ou de uma rede, este passa a liderar as reuniões sobre estratégia de preço, orientar a alta gerência e guiar a equipe de Marketing e Vendas quanto às estratégias de preços e campanhas promocionais para cada segmento de negócio e canal de distribuição.
Com o objetivo de maximizar receitas, o Revenue Manager tem que realizar duas grandes tarefas:
1)        desenvolver e recomendar as estratégias de tarifas mais eficazes para o aumento da receita em base diária, mensal e anual;
2)         Motivar os executivos e demais gerentes a implementar as recomendações.
A 1ª das atribuições, pressupõe um complexo sistema automatizado segundo especialistas.
A 2ª me parece fora da alçada de um “revenue manager”, aceitando o cargo como existente Motivação da equipe não seria atribuição dele, até porque, tratando-se de um “gerente de receitas” pode, e não lhe é exigido que conheça a operação hoeleira.
Como o Bom andamento de uma unidade ou rede são de responsabilidade da Direção ou Gerencia Geral, mais uma vez temos o “RM” como um assistente.

Ao lerem as minhas colocações, poderão pensar que eu tenho alguma coisa contra o Revenue Management, não, muito antes pelo contrário, até porque uso-o desde o tempo em que ele era determinado a lápis e papel quadriculado, o que eu não concordo é que alguém que é um gerente de receitas passe a ter voz ativa a ponto de determinar sobre a gestão geral de um Hotel ou Rede o que é muito mais complexo, visto que o RM é apenas um item no complexo contexto da Administração Hoteleira, de Hotéis, Resorts, Restaurantes, refeitório industriais condomínios e alguns outros setores não necessariamente hotelaria.

Necessidades e qualificações

Hoje, pressupõe-se que o “revenue Management” na pessoa do gerente de Contas ou “revenue manger” tenha ao seu dispor ferramentas tecnológicas de alta complexidade o que no Brasil ainda não está disponível a tão altos níveis. Então eu proponho que, quem conhece o sistema e administra focado em gerenciamento de receitas use seus conhecimentos e seu próprio ou contratado programador e elabore o sistema de acordo com suas reais necessidades. Há Hotéis, e redes usando os sistemas de Revenue Management da aviação, a base fundamental é a mesma, mas as diferenças são enormes e isso leva o sistema a ser perigosamente ineficiente para a hotelaria. 


Mas vou pesquisar e com certeza voltamos a este assunto, algo é fato, não concordo por enquanto que a figura do Revenue Manager seja alguém que não o responsável ou Gerente Geral de um Hotel, Este sim deve informar-se para poder exercer esta função que nada mais é que uma disciplina de sua formação.

14/09/2011 Posted by | Administração, Administração Hoteleira, Aguia, Controladoria, Custos, Finanças | , | Comentários desativados em “Revenue Management” e ou (é Disciplina de Administração Hoteleira)

O Que como e Quanto Comprar

19/03/2011 Posted by | Administração, Cardápios, Cozinha, Culinária, Custos | | Comentários desativados em O Que como e Quanto Comprar

A Nova Cozinha

É Comum ser perguntado sobre o que chamamos de Nova Cozinha, – Querem saber tudo o que é possível sobre ela. No fundo a nova cozinha nada mais é que a verdadeira cozinha, levada a sério e que prima pela qualidade dos alimentos escolhidos, carnes, peixes, legumes quanto mais frescos melhor ou encontrem-se alternativas. Como vimos o mais importante é escolha correta dos produtos a serem usados. Nesse campo, não e deve facilitar e sim pesquisar sempre o que há de melhor para termos certeza de que é do melhor e com melhor que vamos elaborar nossos pratos. Isto vale para um pequeno restaurante à beira da estrada, ou o de mesa altamente sofisticada, ou e escolher Pescada ou Salmão, é preciso procurar melhor pescada, o melhor salmão, originário de Adour, da Bretanha ou até mesmo da Irlanda. E isto vale também para a dona-de-casa.

Um dos princípios da cozinha moderna é deixar que as coisas tenham o seu sabor próprio, valorizando o gosto original as comidas. Na antiga cozinha, as razões eram mais “ilusórias,” do que culinárias. Na Nova Cozinha, tudo tem a sua razão de ser, Tomemos, por exemplo, uma das especialidades do pai desta maravilha, “Bocuse” O Loup em courte Nada mais é que um: (namorado com massa folhada), recheado com mouse de lagosta. O Peixe é envolto na massa, mas a pessoa não é obrigada a come-la, pois ela só faz parte do prato para conservar o aroma do peixe. Tampouco é obrigado a comer o recheio, já que o papel deste é manter certa umidade, uma vez que o peixe tem tendência a secar… Os adeptos da nova cozinha seguem outras regras, que já indiquei por alto, como, não organizar o menu previamente e sim ir de manhã ao mercado, e de acordo com o que encontrar de melhor programar o que será feito. Isto acarreta automaticamente a necessidade de simplificar, de tornar os menus mais leves. Não são necessários todos esses molhos, escabeches e o sem número de preparativos… O Grande Fernand Point suprimiu, desde antes da guerra, os molhos, os pratos complicados, demasiado substanciosos, guarnições que eram de lei na cozinha do século XIX. Tal simplificação no preparo os pratos repercute igualmente no tempo de cozimento. Os peixes, por estranho que pareça, devem ser servidos rosados junto à espinha. Quase sempre são cozidos demais! As vagens devem estalar sob os dentes, e s massas devem ser firmes.

Dizia um renomado mestre: ”só se cozinha bem com amor, na medida em que se deseja, acima de tudo, criar em torno da mesa uma atmosfera de amizade e fraternidade entre os homens.” Isso me parece essencial: Tanto a dona-de-casa, quanto o grande chefe só devem preparar os pratos que gostam de fazer. Quando a dona de casa prepara, por exemplo, um frango au cury é preciso que esteja convencida de que está fazendo realmente algo DIVINO e acima de tudo com muito amor. Acho que a cozinha não difere muito de tudo o que temos que fazer na vida, ou se faz com amor, ou melhor, fora que não se faça. Outro ponto em que não é mau insistir: Quando cozinhamos é bom deixar sempre uma pequena margem para a improvisação. Dizia um grande regente de orquestra:”quando executamos em público uma obra muito ensaiada, deixamos sempre lugar para a imaginação, para a improvisação.” Da mesma forma a dona-de-casa, devi convencer-se de que não devemos levar uma receita ao pé da letra e que se pode, à última hora e apenas por motivos de provisões à mão, substituir um produto por outro…Se a dona de casa resolveu por exemplo preparar um Coq-au-vin (frango ao vinho) e não tem toucinho e cebolas, isso não deverá fazer a menor importância, já que realmente não faz. Se o frango e o vinho forem realmente de primeira qualidade e o sal e a pimenta estiverem perfeitos, pode substituir as cebolas por alho-poró ou cebolinha branca. Sobretudo ela não deve ficar submetida ao livro. Pelo contrário, tome iniciativas (e porque não) corra alguns riscos.Mesmo que ela não pretenda ter dons especiais, o simples fato de tentar uma receita, de fazer um prato, é sinal de que tem vontade de prepará-lo.Portanto isto por si só lhe permite certa margem de criatividade.de fantasia, sob a condição, naturalmente, d não sair da linha e do bom senso…Em minha opinião, são estas algumas as características da nova cozinha, e muito me orgulho de tornar conhecidas estas tradições culinárias, renovadas pelo mundo, aos profissionais que se atualizam constantemente e porque não às donas-de-casa que gostam de exercitar seus dotes culinários, as que não gostam há sempre um restaurante por perto onde os profissionais já entenderam que tudo começa pela escolha dos produtos mais frescos e de melhor qualidade.

O que podemos seguir ao pé da letra num livro de receitas?

O Tempo de cozimento mesmo assim, há controvérsias!!!rsrs. Tudo o resto é relativo, senão vejamos: Uma dona-de-casa pode ter um forno que alcance os 230º, mas o mais provável é que este nunca passe dos 180º. A única informação que pode ser levada totalmente a sério é quando se lê “deixar ferver durante 10 minutos”, Aí, a dúvida é impossível! Mas num forno nunca se tem a certeza do grau de calor reinante. Se colocarmos uma ave no forno, ela não assará da mesma maneira de que se fossem três. Quando se colocam três aves o forno, a temperatura baixa. De modo geral convém à pessoa certificar-se da capacidade de aquecimento do forno. Isso sim é essencial.

17/03/2011 Posted by | Administração, Cozinha, Culinária, Custos, Nova Cozinha | | Comentários desativados em A Nova Cozinha

“O Parque Estadual do Cristalino é o primeiro lugar para observação de aves no Brasil e o terceiro no mundo”

À frente de ações ambientais que culminaram com a criação da Fundação Ecológica Cristalino, em Alta Floresta (MT), Vitória Da Riva Carvalho viu nascer a cidade idealizada por seu pai e sofreu com o caos gerado por fatores como garimpo, prostituição, crianças abandonadas, desmatamento e malária. Hoje, ela luta pelo equilíbrio entre urbanismo e natureza

Silvia e Heitor Reali

O paulista Ariosto Da Riva foi o primeiro a chegar a Alta Floresta, no norte de Mato Grosso. Em 1974, vendeu tudo o que tinha para comprar do governo federal uma floresta de 800 mil hectares. Idealizada para ser uma cidade-modelo, a partir do lema do regime militar da época – “Amazônia, integrar para não entregar” -, Alta Floresta deveria ser, segundo Da Riva, um polo de agricultura baseado em plantações familiares de cacau, guaraná e café. Nos documentos de posse dos novos colonizadores sobressaía em negrito a frase de Da Riva: “Preserve sua castanheira. Ela é a sua caderneta de poupança.”
No início de 1980, a descoberta do ouro levou milhares de garimpeiros para a região e fez muitos agricultores, cobiçando riqueza fácil, abandonarem suas plantações. Três anos depois, sem ouro nem plantio, grandes áreas de pastagens foram abertas. Na contramão do desmatamento, Vitória Da Riva, filha de Ariosto, e seu marido, Edson de Carvalho, compraram 700 hectares de floresta ladeada pelas águas do Rio Cristalino. Iniciaram ações que levaram à criação do Parque Estadual do Cristalino, no ano 2000. Quatro anos depois, ajudados pela então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reverteram a decisão judicial que beneficiaria donos de terras locais, desejosos de vendê-las para a pecuária, o que reduziria muito a área do parque. Hoje, Vitória preside a Fundação Ecológica Cristalino, criada para a educação, a pesquisa e a recuperação de áreas degradadas. Fundou ainda a Escola da Amazônia, para as crianças conhecerem a importância de preservar a mata.

Silvia e Heitor Reali

 

A sra. foi pioneira em trabalhar com ecoturismo no Brasil, no fim dos anos 1980. Como foi o começo?
A pressão a favor do desmatamento em Alta Floresta era, e ainda é, muito grande. A soja empurra a pecuária cada vez mais para o norte e o desmatamento avança cada vez mais. Eu e o Edson queríamos um empreendimento rentável, mas que mantivesse a floresta em pé. Nosso objetivo era trabalhar com turismo ecológico, então, construímos alguns bangalôs na área adquirida, com uma pequena estrutura de serviços. Imagine a dificuldade de erguer um hotel nessa região, que não era destino turístico nem tinha acesso por avião. As pessoas me diziam: “Você é louca! Quem vem até esse fundão do Brasil pagar para ver mato?” E eu me perguntava: como fazer o mato virar conhecimento?

“Imagine a dificuldade de erguer um hotel nessa região. as pessoas me diziam: ‘quem vem até esse fundão do brasil para ver mato?'”

Como a sra. fez isso?
Comecei voltando à faculdade (sou formada em letras) para aprender a vender um produto – o turismo ecológico – que ainda não existia na Amazônia. Na Fundação Getulio Vargas, a frase de um professor me marcou: “Seu produto precisa ser diferenciado.” Eu ainda não tinha a menor ideia do que meu produto poderia ser nem sequer quais eram os diferenciais dos outros hotéis de ecoturismo no Brasil. Comecei a frequentar workshops de planejamento estratégico para turismo ecológico e a viajar para vender meu produto, o Cristalino Jungle Lodge. Ao mesmo tempo, adotamos no hotel ideias que nos pareceram boas: um sistema de telas para ventilação natural; o uso exclusivo de produtos biodegradáveis; a reciclagem do lixo, que é mandado para a cidade, enquanto o lixo orgânico fica no local; o esgoto é trabalhado com a permacultura (método holístico para planejar, atualizar e manter sistemas de escala humana, como jardins e comunidades – N. da R.). Agora, estamos construindo um gerador de células fotovoltaicas.

Quando a sra. encontrou o diferencial do seu hotel?
Quando comecei a ser procurada por pesquisadores. O primeiro foi o ornitologista Jürgen Haffer,pesquisador de aves endêmicas. O Rio Telles Pires, do qual o Cristalino é afluente, funciona como uma barreira de espécies. Depois, veio o ornitólogo norte-americano Ted Parker, que catalogou 590 espécies de aves nos três biomas encontrados na região. Com esses números, poderíamos fazer birdwatching (“observação de aves”), um tipo de turismo ecológico que faz muito sucesso em vários países. Somos o primeiro local de observação de aves do Brasil e o terceiro do mundo – os dois primeiros estão no Peru. Mas estamos a meia hora de barco da cidade mais próxima, ante 16 horas do Parque Nacional del Manu, no Peru. Nem sequer tínhamos uma expressão brasileira para designar essa atividade turística tão apreciada por europeus e norte-americanos, mas já cunhamos uma: “passarinhar”.

E os viajantes começaram a chegar?
Os operadores norte-americanos foram os primeiros. O hotel era o único a oferecer observação de aves nas terras altas, não alagáveis, da Amazônia. Depois vieram muitos pesquisadores, que por sinal não param de chegar. Catalogaram dezenas de novas espécies de borboletas, além de sete espécies de macacos. Hoje, segundo a Embratur, somos o primeiro lugar para observação de borboletas no País. O pesquisador de pássaros norteamericano Chip Haven, da Universidade Stanford, doou ao Cristalino uma torre de observação de 50 metros de altura feita de ferro galvanizado. Com três patamares, ela permite observar aves como o surucuá, o tucanuçu e a marianinha, nos diferentes extratos da floresta.

Silvia e Heitor Reali

 

Sua luta continua pa ra proteger com leis esse pa trimônio natural. Foi a riqueza em biodiversidade o que mais motivou a criação do Parque?
No fundo, foi ainda maior a lembrança da decepção que meu pai sofreu. Ele sonhou com um projeto, mas uma soma de fatores dificultou o desenvolvimento da região. Entre eles, a descoberta do ouro, a pecuária e, por último, a altíssima inflação durante o governo de José Sarney, que desvalorizou os produtos agrícolas. Só a partir de 2007 começou um resgate da agricultura. Foi também o início da recuperação das áreas degradadas. O parque, com 184.900 hectares, funciona como uma barreira ao Arco do Desmatamento da Amazônia, servindo de baluarte às áreas protegidas da região. Na época em que o governo estadual queria reduzir o parque em 30% para favorecer os fazendeiros, o S.O.S. Cristalino recebeu mais de 100 mil e-mails de apoio vindos do mundo inteiro. E eu, ao mesmo tempo, recebia ameaças de donos de terras. Mas não me intimidei, sempre fiz e vou continuar fazendo aquilo em que acredito.

Como surgiu a Fundação Ecológica Cristalino?
Surgiu em 1999, da necessidade de organizar um grande número de pesquisadores que pediam para se hospedar no Cristalino Jungle Lodge. Assim, poderíamos apoiar as pesquisas ali desenvolvidas: educação, planejamento e uso territorial, ecologia da paisagem e pesquisa sobre a fauna e flora. Dessa maneira, o projeto Flora Cristalino classificou 1.370 espécies vegetais, 8 das quais são novas para a ciência.
A fundação também trabalha na recuperação das nascentes e do solo já desmatado. Já recuperamos 26 propriedades com cerca de 100 hectares cada uma. Temos importantes parceiros, como a instituição botânica inglesa Kew Gardens, a Wildlife Conservation Society, a Fiocruz, a TAM, o HSBC e a Rainforest Conservation. Vale lembrar que, na nossa região, ainda existem 22 comunidades indígenas isoladas, das 54 atualmente investigadas no Brasil pela Funai.

“O número de aves catalogadas na região nos permitiu fazer birdwatching, um tipo de turismo ecológico de muito sucesso”

O projeto Cristalino também pa trocina o programa Escola da Amazônia. fale-nos sobre ele.
Percebi que, se existe alguma esperança, ela reside nas crianças. Elas é que vão mudar a cabeça dos mais velhos. Para isso, precisam saber o que somos e o que temos aqui. Daí surgiu a Escola da Amazônia. As escolas da região são o nosso foco, em parceria com escolas particulares de São Paulo que apoiam e sustentam o projeto. Esse programa, criado com os biólogos Edson Grandisoli e Silvio Marchini, venceu o prêmio Whitley Awards do Reino Unido, em 2007, tido como o “Oscar verde” da Royal Geographic Society de Londres. O programa objetiva desenvolver o raciocínio científico, atende mais de 2 mil jovens da comunidade escolar regional, leva alunos de escolas particulares de São Paulo para conhecer a realidade social da região e ensina às crianças de Alta Floresta a importância de preservar a mata.

Valeu a pena?
Alta Floresta está voltando às suas origens. Trabalha com a sustentabilidade, e muitas pessoas estão fazendo reflorestamento. Quando a Fundação Ecológica Cristalino recebeu o prêmio World Savers Award e o Cristalino Jungle Lodge ganhou o primeiro lugar em 2008 na Condé Nast Traveler (um dos principais prêmios do mundo para hotelaria conservacionista), esses reconhecimentos foram muito bons não apenas para a fundação e para o hotel, mas porque os moradores e políticos entenderam que levamos positivamente o nome de Alta Floresta ao mundo.

Mais informações www.fundacaocristalino.org.br

 

“O Parque Estadual do Cristalino é o primeiro lugar para observação de aves no Brasil e o terceiro no mundo”

À frente de ações ambientais que culminaram com a criação da Fundação Ecológica Cristalino, em Alta Floresta (MT), Vitória Da Riva Carvalho viu nascer a cidade idealizada por seu pai e sofreu com o caos gerado por fatores como garimpo, prostituição, crianças abandonadas, desmatamento e malária. Hoje, ela luta pelo equilíbrio entre urbanismo e natureza.

 

 

 

06/01/2011 Posted by | Administração, Ecologia, educação | , | Comentários desativados em “O Parque Estadual do Cristalino é o primeiro lugar para observação de aves no Brasil e o terceiro no mundo”

EVOLUÇÃO TECNOLOGIA

Mário Queiroz, vice-presidente de produtos Google

“Em três anos, toda tevê terá internet”

O futuro do Google passa pelas mãos do brasileiro Mário Queiroz, 45 anos. Não é exagero.

Por Bruno Galo

 

O futuro do Google passa pelas mãos do brasileiro Mário Queiroz, 45 anos. Não é exagero. Aos olhos dos analistas do mercado de tecnologia, as duas maiores apostas do gigante de internet são o sistema operacional para celulares Android e a Google TV, que promete a integração entre web e televisão.

Nascido no Paraná e criado em São Paulo, Queiroz deixou o País há mais de 25 anos. Formou-se em engenharia na Universidade de Stanford, na Califórnia. Depois trabalhou 16 anos na HP e desde 2005 está no Google. Começou como responsável pela infraestrutura de tecnologia.
Mais tarde, em Londres, criou os primeiros escritórios de desenvolvimento fora dos EUA. No início de 2009, voltou para Palo Alto, no Vale do Silício, e começou a tocar a equipe que cuida do sistema para celular Android. Atualmente, é responsável pela Google TV. De passagem pelo Brasil, ele conversou com exclusividade com DINHEIRO.

DINHEIRO – O sr. acaba de assumir a gestão da Google TV. O que podemos esperar?

MÁRIO QUEIROZ – A Google TV combina o poder da busca, um navegador completo, aplicativos Android e a experiência de televisão, que as pessoas amam e já possuem. Isso é uma inovação. É diferente de outras soluções de internet na tevê. Nossa proposta é mais integrada e simples.
DINHEIRO – E quando a Google TV chega ao Brasil?

QUEIROZ – Não posso comentar sobre isso. Mas o mundo vai conhecer a Google TV em 2011 e temos o interesse em trazê-la para o Brasil o quanto antes. Quando formos considerar novos países, isso vai depender de parcerias com as emissoras, fabricantes de hardware, varejistas e produtoras de conteúdo. Uma das razões da minha visita ao Brasil é iniciar as conversas com potenciais parceiros. Mas o mais importante é que a internet começa a ser acessada pela televisão. No máximo em três anos, todas as televisões vão ter um navegador de internet incorporado. As emissoras de tevê precisam se preparar para essa nova era de conteûdo.
DINHEIRO – Nos Estados Unidos, algumas das principais emissoras bloquearam o acesso via Google TV ao seu conteúdo online. Por quê?

QUEIROZ – Nosso objetivo é encontrar a melhor forma de permitir essa integração entre tevê e internet tanto para o usuário como para os parceiros. E as emissoras e qualquer site podem bloquear isso. Mas achamos que o acesso à internet sem restrições e de forma completa é melhor para o usuário e permite ainda que os donos do conteúdo possam produzir material complementar online.
DINHEIRO – O receio das emissoras é quanto à rentabilidade do modelo de negócios? Afinal, quase toda a receita delas ainda vem da televisão e não da internet.

QUEIROZ – Estamos no início disso tudo. São os primeiros minutos do primeiro tempo de uma longa partida. Estamos todos aprendendo como isso vai se desenvolver. Mas já há muitas grandes empresas de mídia e emissoras nos Estados Unidos, como a Turner, a Time Warner, a NBA, a HBO, que não só oferecem seu conteúdo como desenvolveram aplicativos com novos recursos inovadores.
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“A Google TV combina o poder da busca com a experiência de tevê, que as pessoas possuem”
Executivo da Sony lança primeira tevê com software do Google nos EUA
DINHEIRO – As ações do Google estão em níveis similares aos do começo do ano. E muitos analistas têm dito que a empresa precisa de uma nova fonte de renda além das buscas. Entre Android e Google TV, qual deles têm esse potencial?

QUEIROZ – Os dois têm potenciais imensos, mas são apenas duas de muitas apostas do Google. Continuamos a investir muito em buscas e publicidade. E temos lançado muitas inovações nesta área. Uma das últimas foi a Google Instant (em que o resultado da busca aparece enquanto o usuário escreve sua busca), que é incrível. É algo que algum concorrente não pode copiar em um fim de semana. A base de engenharia por trás disso ilustra a capacidade que a companhia tem para continuar inovando. A área de banners, chamadas também de display, e a de publicidade móvel estão se tornando grandes negócios de bilhões de dólares muito rapidamente.
DINHEIRO – O sr. também está envolvido com a estratégia do YouTube?

QUEIROZ – O YouTube é um negócio enorme em termos de número de usuários e de vídeos vistos diariamente. Temos um projeto de extensão da plataforma do YouTube para gerenciamento de vídeos, que vai poder ser usado por companhias de mídia integradas com a Google TV. São negócios que fazem parte da nossa estratégia de longo prazo. Mas o ponto principal do YouTube é o seu próprio crescimento, inclusive de receita. Ele já é um negócio grande.
DINHEIRO – Eric Schmidt, CEO do Google, já disse que o futuro da tecnologia está na mobilidade. Como foi estar à frente de uma área estratégica?

QUEIROZ – O crescimento do Android é um dos maiores sucessos em todos os tempos em termos de plataforma tecnológica. O número de telefones ativados com o nosso sistema operacional diariamente passa dos 200 mil. Somos líderes nos Estados Unidos e logo seremos em todo o mundo. O Android é usado em 96 aparelhos de 22 fabricantes, vendidos em 49 países por 59 operadoras. O número de aplicativos no Android Market, loja de aplicativos do Android, saltou de 20 mil em fevereiro deste ano para mais de 100 mil neste mês. Contribuir para tudo isso foi realmente incrível.
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“Consumidores preferem ver e tocar o celular em uma loja antes de comprar”
Nexus One, celular do Google vendido online que foi descontinuado
DINHEIRO – O Android já é a plataforma ideal para tablets?

QUEIROZ – As empresas de hardware podem implementar o Android em diferentes formatos, mas creio que o software pode melhorar muito ainda para atender produtos com telas maiores, como os tablets. Temos muitos projetos nesse sentido.
DINHEIRO – Com a evolução dos smartphones e o surgimento dos tablets, o PC está ameaçado?

QUEIROZ – Acredito que vamos ter diferentes aparelhos para cada uso ao longo do dia. A internet móvel será maior que a web no desktop, mas isso não quer dizer que o PC vai desaparecer. O smartphone vai se tornar cada vez mais importante, com novas maneiras de interação, como viva voz. Não queremos restringir a escolha das pessoas e sim levar a experiência plena da internet e do Google para o maior número de dispositivos, inclusive a tevê, com a Google TV.
DINHEIRO – Quais as diferenças entre a web móvel e a web do PC?

QUEIROZ – Ela é diferente de incontáveis maneiras. E esse é um dos motivos de trabalharmos com uma plataforma aberta. Acreditamos que os desenvolvedores de todo o mundo podem ir além do que estamos fazendo. Mas a web móvel é diferente principalmente de duas maneiras. Primeiro, estamos sempre acessando a web pelo celular. Segundo, o tipo de acesso é muito mais pessoal. Os novos aparelhos têm recursos como GPS, acelerômetro e câmera. Isso abre uma infinidade de possibilidades.
DINHEIRO – E qual o papel da computação em nuvem neste contexto?

QUEIROZ – A computação em nuvem é crucial. Sem ela, os aparelhos móveis não seriam tão atraentes. A nuvem é a web e você não precisa armazenar tudo em um hardware. Se você perder seu celular Android hoje, pode comprar outro e recuperar praticamente tudo. O hardware deve mudar muito nos próximos anos, mas as possibilidades realmente revolucionárias estão nessa integração cada vez maior dos aparelhos com aplicações e recursos que estão na internet. E isso está apenas começando.
DINHEIRO – O Android é um software, mas em janeiro deste ano o Google lançou um celular de marca própria: o Nexus One. Por quê?

QUEIROZ – Por duas razões. A primeira era estabelecer um novo patamar de desempenho para aparelhos Android. Não estávamos satisfeitos com o nível de qualidade e performance dos celulares lançados até então. Acho que fomos muito bem-sucedidos nisso, já que a qualidade atual é realmente muito superior. A segunda era fazer uma experiência de venda online direta ao consumidor. E descobrimos que as pessoas preferem ver e tocar o aparelho em uma loja antes de comprá-lo.
DINHEIRO – O Nexus One foi descontinuado, mas há a previsão de outro modelo próprio?

QUEIROZ – Ele se tornou um telefone para desenvolvedores, que vai continuar a receber atualizações de software normalmente. Quanto a outro aparelho nos moldes do Nexus One, não posso comentar sobre produtos não lançados. Mas o nosso objetivo é sempre promover e fortalecer o desenvolvimento do nosso ecossistema de parceiros.
DINHEIRO – Havia o intuito de tornar a área de mobilidade mais rentável com o Nexus One, afinal o Android é gratuito?

QUEIROZ – O negócio do Google é de software e serviços pela internet. Nosso modelo de negócios é de que quanto mais pessoas online melhor para o Google. Temos uma forma de ganhar dinheiro com o uso da web que é muito bem-sucedida. E estamos sempre procurando novas formas de publicidade e de atrair mais pessoas para a internet.
DINHEIRO – Há pouco mais de um ano  Chad Hurley, fundador e então CEO do YouTube (comprado pelo Google em 2006), disse que o iPhone oferece uma experiência mais completa do que os modelos Android. Hoje o sr. acha que isso já mudou?

QUEIROZ – Sem dúvida. E esse era um dos nossos objetivos com o lançamento do Nexus One. Nossa relação com os fabricantes de celulares é muito próxima e há uma série de requisitos que os aparelhos têm que atender para receber os serviços do Google. E hoje já chegamos a um patamar de integração hardware e software que oferece uma experiência muito boa para os consumidores.

 

21/12/2010 Posted by | Administração, Tecnologia | , | Comentários desativados em EVOLUÇÃO TECNOLOGIA